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O que há de mais importante na Fiocruz Adicionar o RSS

Foto: João Carlos Dias

João Carlos Dias

João Carlos Dias é formado em medicina pela USP de Ribeirão Preto, sempre buscando seguir os passos do pai, Emmanuel Dias, começou na Fiocruz como bolsista no IOC em 1963. Desde 1973 atua no Instituto René Rachou, em Minas Gerais, onde desenvolve pesquisas sobre a Doença de Chagas.

Há quanto tempo está na Fiocruz?
Desde que me formei em Medicina pala USP, em 1963. Meu pai havia falecido e me determinei a segui-lo, embora fosse muito difícil. O Dr Genard Nóbrega, do IOC, acolheu-me no Hospital Evandro Chagas como bolsista, no ano seguinte designando-me para levar à frente os trabalhos do Posto de Bambuí, em Minas. Nesta condição fiquei até 1973, quando fui aceito para os quadros do IOC, como médico, posteriormente pesquisador, já em função no Centro de Pesquisas René Rachou (BH);
 
 
Qual a sua formação?
Sou médico pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP/1963), especialista em doenças topicais (UF Bahia 1967), Mestre em Medicina (UFMG 1974) e Doutor em Medicina (1982)
 
 
Já atuou em outros departamentos ou unidades?
Comecei no IOC (1963), fui para Bambuí e fixei-me no Instituto René Rachou em 1973. Já em Minas prestei serviços à várias instituições como a Secretaria de Saúde de Minas Gerais e ao Hospital N. Sra do Brasil de Bambuí, à Faculdade de Medicina da UFMG, entre outras. Fui também presidente da Fundação Nacional de Saúde, prestei serviços à Comunidade Européia como membro titular do Comitê de Saúde e Medicina, à OPAS como assessor temporário em doença de Chagas, e, desde 1980, à OMS como membro do Comitê de Doenças Parasitárias e do Grupo de Doenças Negligenciadas. Em 2007 fui empossado como Membro Titular da Academia Mineira de Medicina, na Cadeira No. 80, que tem como patrono Emmanuel Dias.  
 

Fale um pouco sobre as atividades desenvolvidas por você no IRR.
Trabalho no Posto Avançado de Estudos Emmanuel Dias (Bambuí), atualmente como responsável técnico em pesquisas. Ali desenvolvo estudos sobre a história natural da doença de Chagas (pacientes acompanhados clinicamente há muitos anos), sobre a mortalidade em doença de Chagas, as co-morbidades em doença de Chagas, vigilância epidemiológica e sobre novos inseticidas. Também acompanho a evolução das enteroparasitoses no Município e assessoro a Prefeitura Municipal no controle do dengue. No IRR propriamente, em BH, trabalho com novas formulações inseticidas e biologia de triatomíneos (barbeiros) no Laboratório de Triatomíneos e Epidemiologia da Doença de Chagas (LATEC), onde, ainda, assessoro a Secretaria da Saúde de Minas Gerais e o Ministério da Saúde quanto ao controle da doença de Chagas e o manejo clínico do infectado. Eventualmente, este assessoramento se amplia para outros países, particularmente Bolívia, Venezuela, Argentina, Equador, Honduras e Costa Rica, por solicitação da OPAS/OMS. Nesse contexto, escrevo regularmente capítulos  e monografias sobre a epidemiologia, a clínica e o controle da doença de Chagas. Também tenho, no IRR, cooperação com a Faculdade de Medicina da UFMG (projeto de transmissão congênita) e com a FM UF Ouro Preto. A partir de 2005 assumi a coordenação da disciplina de doenças infecciosas e parasitárias do Curso de Pós Graduação em Ciências da Saúde do IRR. Finalmente, desde 2007 sou Coordenador do Comitê de Ética em Pesquisas em Seres Humanos do Instituto, Fui aposentado na compulsória em 2008, mas sigo em atividade regular.  
 
 
Quais os principais desafios em seu trabalho?
 Desde o princípio, basicamente por inspiração de meu pai, Emmanuel Dias, o enfrentamento da doença de Chagas, em alguns aspectos fundamentais como controle vetorial, tratamento específico, clareamento de sua evolução clínica, manejo do infectado e vigilância epidemiológica com participação comunitária. Em particular, também na esteira de meu pai, me aplico no estabelecimento da prioridade da doença como problema a ser politicamente enfrentado, em vários níveis de gestão e atividade. 

O quê você acha da expansão da Fiocruz para outros estados?
Acho oportuna, como consolidação dos ideais de Oswaldo Cruz, na medida em que forem atendidas ou encaradas as prioridades sanitárias de cada região, e, particularmente, que essa inserção se faça de maneira politicamente adequada, sintonizada com os gestores regionais e abrindo real e concreta perspectiva de capacitação e desenvolvimento da ciência regional.
 

Como você avalia o intercâmbio entre as unidades que ficam em estados diferentes?
Como visto, sou originário do IOC e sempre estive em forte contato com a matriz, especialmente IOC, ENSP e COC. O intercâmbio é possível, naturalmente, através de projetos específicos de cooperação e de disponibilização de técnicas e de cursos ou estágios (parte a parte). Isto tem acontecido a meu ver, mais por conta de iniciativas particulares de pesquisadores ou departamentos, mas se nota o esforço Fundação para articular e institucionalizar  as parcerias e cooperações. Não é fácil, pelas particularidades dos pesquisadores e pela enorme sobrecarga de atividades administrativas e burocráticas de uma instituição tão grande, tão heterogênea e tão complexa. Evidentemente, deve-se avançar, pois a presença/participação das unidades regionais nas macro políticas e macro decisões da Fundação segue discreta, em minha opinião. 
 
Quais experiências mais significativas na Fiocruz pode destacar?
Há todo um passado muito glorioso, nas duas gerações pós Oswaldo, de enorme destaque e importância para o País, com alguns setores e projetos ainda em atividade (vacina anti amarílica, pesquisa e controle da doença de Chagas, serviços diversos de referência etc). Mais recentemente, destaco a importância da ENSP na gestação de macro políticas e inteligência em saúde, particularmente nos tempos de ditadura, na formulação do SUS e na VIII CNS (1986). A ressurreição das “Memórias” e seu crescimento em grau de excelência são também marcantes. As atividades de Farmanguinhos e Biomanguinhos em vários sub setores de tratamento e diagnóstico
(HIV por exemplo) têm sido importantes no cenário nacional. No campo da doença de Chagas, que me diz mais respeito, vejo a Instituição empenhada nos campos do diagnóstico, do controle e da epidemiologia, com particular importância aos trabalhos na Amazônia. Também destaco o âmbito do estudo dos triatomíneos, com preciosas e continuadas contribuições desde Arthur Neiva, seu grande iniciador. 

 
O que representa a Fiocruz para você?
Aprendi com Chagas e Emmanuel, que a Casa de Oswaldo Cruz representa uma somatória de ideais, ligados à redenção de um povo, à busca da excelência, ao compromisso com a verdade e o rigor científico, através uma bela e grande ciência, compromissada com a vida. Considero um privilégio e sou grato por estar aqui.  
Entrevista publicada em 17.07.2009 - Foto: Arquivo Pessoal

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