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O que há de mais importante na Fiocruz Adicionar o RSS

Foto: Rodrigo Corrêa de Oliveira

Rodrigo Corrêa de Oliveira

Na Fiocruz desde o ano de 1986, o Dr. Rodrigo Corrêa é hoje diretor do Centro de Pesquisas René Rachou (CpqRR) - Fiocuz/MG. Nesta entrevista, fala sobre sua trajetória e os projetos desenvolvidos no CPqRR em parceria com outras instituições do estado de Minas Gerais.

Há quanto tempo você está na Fiocruz?
Trabalho na Fiocruz desde 1986. Fiz concurso um ano após o meu retorno dos EUA onde obtive o titulo de doutor em 1985. Neste intervalo trabalhei como pós-doutor no Laboratório de Imunologia de Parasitas do CPqRR. 
 
Qual a sua formação?
Sou formado em Biologia pela Universidade Federal de Minas Gerais onde obtive também o titulo de Mestre em Bioquímica. Logo após o mestrado, fui para os EUA onde obtive o titulo de Ph.D. em imunologia pela Johns Hopkins University. Durante este período trabalhei também como pesquisador no National Institutes of Health onde desenvolvi a minha tese de doutorado. 
 
Você já trabalhou em outros setores/unidades? Já trabalhou ou esteve no campus do Rio de Janeiro?
Desde o meu ingresso na FIOCRUZ sempre trabalhei no CPqRR. No entanto, tenho projetos em colaboração com pesquisadores no campus do Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco. Vou sempre ao Rio para reuniões de trabalho relacionadas a projetos científicos, reuniões de Câmaras Técnicas e atualmente do Conselho Deliberativo como Diretor do CPqRR.
 
Quais atividades que você desenvolve no CPqRR?
Nestes vários anos de atividade no CPqRR trabalhei, e continuo a trabalhar, em projetos de pesquisa relacionados ao estudo da resposta imune contra infecções parasitárias, que são os modos como o organismo humano reage a essas infecções. Iniciei as minhas atividades avaliando a resposta imune humana contra a infecção pelo S. mansoni, que é um dos parasitas causadores da Esquistossomose, focando principalmente na analise dos mecanismos de regulação da resposta imune e identificação de antígenos com potencial para utilização como vacinas. 
 
Estes estudos permitiram a descrição de um grupo de indivíduos resistentes à infecção, observação importante para o entendimento do papel da resposta imune na eliminação da infecção pelo S. mansoni. Essa análise tem permitido uma avaliação mais detalhada dos antígenos com potencial para o desenvolvimento de vacinas. Em doença de Chagas estamos investigando o papel da resposta imune no desenvolvimento da lesão cardíaca e/ou digestiva. 
 
O desenvolvimento destes projetos sobre Chagas, helmintoses e esquistossomose mostrou que somente os estudos laboratoriais não eram suficientes para entendermos a dinâmica dos processos de infecção e resposta imune. Havia a necessidade de integração entre as atividades laboratoriais e de campo que permitissem a ligação entre elas. Neste contexto, iniciamos um projeto multidisciplinar que envolve estudos sócioeconômicos, comportamentais, espaciais,permitindo um melhor entendimento entre a relação do homem com o meio ambiente, o seu conhecimento sobre a doença e a possível relação destes fatores com a resposta imune alem da inclusão de projetos em genética de população, genômica e proteômica. 

Fale um pouco mais sobre os projetos de integração com a comunidade desenvolvidos em parceria com outras instituições.

Dentro da concepção da gestão ambiental/saúde, implementamos um programa de integração da comunidade com os nossos  projetos de pesquisa com o objetivo de melhorar as condições de saúde da população e controle de doenças, analisando ao mesmo tempo o impacto das medidas tomadas sobre a transmissão e a resposta imune contra as infecções. Para estes estudos desenvolvemos um projeto que conta com a participação de professores da UFMG, além de pesquisadores do Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC), da Southwest Foundation for Biomedical Research e  da Universidade do Texas em Santo Antonio, dos EUA e da Universidade de York na Inglaterra. 
 
Mais recentemente, iniciamos um projeto relacionado a ensaios clínicos para vacinas contra infecções por parasitas focalizando, no momento, em uma vacina contra a ancilostomose. Para a implementação deste programa construímos uma clinica em área endêmica (área com grande incidência da doença) no Vale do Mucuri em Minas Gerais, onde os estudos são desenvolvidos. A estrutura existente é fundamental para os ensaios programados de vacinas contra a esquistossomose, novas drogas e outros ensaios que grupos da Fiocruz tenham interesse em desenvolver. Este estudo conta com a colaboração do Sabin Vaccine Institute e da George Washington University nos EUA. 
 
No contexto dos estudos em vacinas, iniciamos um programa  na área de leishmaniose canina que tem como objetivo central o desenvolvimento de uma vacina para cães, além de métodos de diagnóstico para estudos epidemiológicos. Este trabalho é desenvolvido em colaboração com pesquisadores da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).
 
Mais recentemente, em colaboração com a UFOP construímos um canil que é fundamental para os estudos em leishmaniose canina. Através de projeto financiado pela Fapemig implementamos, também, um laboratório de pesquisa para os estudos que vem sendo desenvolvidos nesta área. Nos últimos cinco anos iniciamos uma nova linha de trabalho em vírus, principalmente relacionada a uma zoonose que ocorre no inverno. São vírus que são transmitidos ao homem através do contato com vacas lactantes infectadas. Estamos avaliando não só a resposta imune destes pacientes, mas estudando a epidemiologia da doença assim como o vírus. 
 
Estes estudos são desenvolvidos em colaboração com pesquisadores do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG. Estamos agora iniciando uma nova linha de trabalho em dengue em colaboração com pesquisadores do CPqGM (Fiocruz Bahia) e da UFMG. 
 

 
Quais os maiores desafios enfrentados em seu trabalho? 
O que há de mais interessante na ciência é que o desafio é constante. No entanto, focalizando em desafios para a execução de projetos, temos dois grandes problemas. Um refere-se à compra e importação de insumos e equipamentos. Sabemos que a ciência anda rapidamente e que para sermos competitivos temos que trabalhar em condições que chamaria de “tempo real”, ou seja, o acesso ao que há de melhor e mais moderno tem que ser quase que instantâneo. Este é um enorme desafio, pois as nossas leis não nos permitem acelerar este processo. Dele depende a nossa modernização. Impede muitas vezes, a nossa capacidade de ser rápido onde somos inovadores, em crescer e em criar e/ou implementar programas de ponta. 
 
Outro ponto que considero importantíssimo é a dificuldade que temos em contratar novas lideranças que permitam saltos significativos em nossa ciência, ou mesmo contratar indivíduos que venham adicionar a programas já existentes. Isso significa planejar a estratégia institucional conforme as necessidades identificadas para melhorar ou atender a saúde humana. Como uma instituição de saúde a Fiocruz precisa e deve ser moderna e ágil, capaz de responder às necessidades da população e antecipar as que certamente virão. O modelo atual de concurso é um atraso enorme que não permite o nosso crescimento rápido e direcionado, além de dificultar trazer para o nosso meio os detentores de conhecimento. 
 
Na sua opinião, qual a importância da expansão da Fiocruz para outros estados?
Vejo todo o processo de forma positiva, pois podemos transformar a Fiocruz em um instituto nacional de ciência e tecnologia em saúde único, sem precedentes nas Américas e no mundo. Vejo também como uma preocupação e um desafio. Explicando o que é isso, a implementação dos novos institutos é sem dúvida complexa e demandará um esforço enorme para garantir o seu sucesso, o que mais queremos. Este desafio não e só o fato de implementar a estrutura física, que dentro do contexto da expansão vejo como o mais simples. O mais complexo é estruturar a ciência em cada um dos novos institutos, mesmo que focado em problemas regionais. Para isso precisamos atrair lideranças importantes como falei  anteriormente. Não basta contratar, temos que contratar bem e indivíduos com competência reconhecida para que os institutos nasçam fortes. Este é o maior desafio que vejo. Se contratarmos bem seremos capazes de buscar recursos alem dos orçamentários, garantindo o sucesso da Fiocruz. Estamos em uma posição invejável. A Fiocruz, com todo o conhecimento adquirido com os Centros Regionais tem experiência acumulada para entender melhor os desafios que a expansão acarreta.  
 
Como você avalia a integração e a comunicação entre as diferentes unidades da Fiocruz?
Ainda considero os dois pontos fracos que precisam ser melhorados com rapidez. Sempre digo que não nos conhecemos como deveríamos e isso passa pelo processo de integração e comunicação. Temos um caminho pela frente que pode ser encurtado através de novas práticas de gestão como as que vêm sendo implementadas pela Presidência nos últimos anos. No momento a integração ainda ocorre de maneira muito pontual entre indivíduos interessados em um problema, mas que aos poucos vem sendo institucionalizada. Estamos em um o processo de mudança positivo, mas deveria ser bem mais intenso. Como servidor de um dos Centros Regionais, vejo claramente que o foco ainda é principalmente no campus de Manguinhos. Não é difícil entender a razão, mas sabemos que quanto mais nos conhecermos mais teremos capacidade de mobilização e de integração. 

Relate alguma experiência marcante vivida nestes anos na Fiocruz.
Esta é a pergunta mais difícil. A minha vida na Fiocruz é toda uma experiência marcante. Vários foram os marcos em minha carreira cientifica, mas destaco um que considero da maior importância, que foi a minha nomeação para representar a Fiocruz e o Brasil no Joint Coordinating Board do Programa Especial de Pesquisa e Treinamento/TDR da Organização Mundial da Saúde, do qual ainda faço parte. Esta nomeação foi uma enorme honra, pois representa uma grande confiança de nossa instituição e do governo brasileiro em meu trabalho. 
 
O que representa a Fiocruz para você?
Representa um enorme orgulho. Ser servidor desta Instituição é sinônimo deste orgulho que cultivamos e que nos da força para lutar e crescer objetivando sempre a saúde do ser humano. Conheço vários institutos de pesquisa e sei que trabalhar na Fiocruz é um privilégio e assim deve ser.

Entrevista publicada em 13.01.2010 - Foto: Peter Iliciev - CCS/Presidência

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