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Foto: Ivano de Filippis

Ivano de Filippis

O curador da coleção de microorganismos de referência do INCQS, a única do país, é também pesquisador da epidemiologia da meningite, com um grande trabalho desenvolvido em parceria com outras instituições brasileiras e americanas. Com 24 anos de trabalho dedicado a Fiocruz, Ivano de Filippis conta um pouco mais sobre sua história e seu trabalho nesta entrevista.

Quando começou sua história na Fiocruz?

Entrei aqui em novembro de 1986, portanto completo 24 anos de Fiocruz neste ano de 2010.  Eu entrei aqui para trabalhar no Laboratório de Coleções de Microorganismos, e uns 2 ou 3 anos depois passei a ser o chefe do laboratório e curador da nossa Coleção. 

Como funciona a Coleção de Microorganismos do INCQS?

 Esta coleção é a referência nacional, a única indicada pela Anvisa para experimentos. Qualquer ensaio no Brasil que necessite de microorganismos de referência para desenvolver uma pesquisa vai procurar esta coleção. Nós produzimos, conservamos e fornecemos microorganismos como bactérias, fungos e outros para pesquisas em laboratórios públicos e privados de todo o país. Já fornecemos até para alguns países da América Latina. 

Você tem uma linha de pesquisa voltada para o estudo da Meningite, fale um pouco mais sobre este seu trabalho.

No ano de 1990 o Brasil passou por uma epidemia de Meningite Meningocócica, e o governo comprou vacinas cubanas contra a doença, que vieram para o INCQS para passar por testes. Eu participei destes testes, o que despertou meu interesse pela doença. 

Em seguida retomei meu mestrado em biologia molecular, estudando a meningite, e comecei uma linha de trabalho com a doença. Em 2002 eu comecei meu doutorado seguindo esta mesma linha, em 2004 fiz um treinamento na Universidade de Oxford, na Inglaterra, e fiz minha defesa de tese em 2005. No ano seguinte fui para o National Institute of Health (NIH), onde fiz meu pós-doutorado. Como parte deste trabalho fizemos um grande estudo, em parceria com o instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, o NIH e o FDA (Food and Drug Administration), dos EUA, no qual trabalhamos com um número representativo de cepas de Meningite Meningocócica no Brasil. Este estudo da epidemiologia da doença gerou uma imensa quantidade de dados, e nosso objetivo é, ainda em 2010, publicar um artigo em uma revista científica de grande porte sobre o assunto. 

Quais outras atividades você desenvolve?

Eu também sou professor da pós-graduação da unidade, trabalho em projetos ligados à Faperj, CNPq, além do trabalho cotidiano que temos, pois estamos sempre atendendo a uma demanda de fora. É uma realidade diferente de outras unidades da Fiocruz, como o IOC por exemplo, que é uma unidade mais acadêmica, voltada para a pesquisa. Aqui no INCQS nós também fazemos pesquisa, mas temos outras atividades que nos demandam um tempo significativo. Não estou dizendo que uma é melhor ou pior que a outra, são apenas características diferentes.


Qual é o maior desafio para você?

Olha, eu gosto muito de trabalhar com as coleções, mas gosto mais da pesquisa. Eu diria que, dentro da pesquisa, o grande desafio é a produção da vacina contra o Menigococo B, causador do único tipo de Meningite que não tem vacina. A nossa pesquisa não é ligada diretamente à produção desta vacina, mas fornecer dados epidemiológicos para que outros pesquisadores entendam cada vez melhor este microorganismo. 


O que representa a Fiocruz na sua vida?

Eu só tenho a agradecer à Fiocruz pelas oportunidades e o incentivo que tenho aqui. A Fiocruz sempre me incentivou, apoiou, não tenho do que reclamar. O salário de pesquisadores na área da saúde ainda é relativamente baixo, mas isso não tem a ver só com a Fiocruz, mas com um contexto mais amplo.
Entrevista publicada em 28.04.2010 - Foto: Comunicação/Direh

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