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Foto: Célia Romão

Célia Romão

Com muitos anos de história e trabalho dedicado à Fiocruz no INCQS, Célia Romão é, entre muitas outras atividades, a coordenadora do Grupo Técnico de Saneantes da unidade. Nesta entrevista ela fala sobre suas experiências e sua trajetória.

Quando começou sua história na Fiocruz?

Fui contratada pela Fiocruz no dia 1 de fevereiro de 1982, quando começamos a montar o Setor de Saneantes do Departamento de Microbiologia do INCQS. Na época eu fazia mestrado no assunto e fui convidada por um colega.

Qual a sua formação?

Sou formada em Farmácia-Bioquímica, com Mestrado em Microbiologia e Doutorado na área de Biologia Parasitária pelo IOC.

Fale um pouco sobre o seu trabalho no Setor de Saneantes.

Quando cheguei no INCQS nós montamos o Setor de Saneantes, que são os desinfetantes hospitalares, detergentes... Nós fomos os primeiros no País a começar a testar estes produtos na área da vigilância sanitária. Começamos este trabalho em 1982, e em 1985 surgiu a primeira legislação sobre o assunto, que foi atualizada em 1988.

E quais atividades você desenvolve atualmente?

Eu tenho a minha linha de pesquisa, que é a avaliação da resistência dos micro-organismos aos biocidas, que são Saneantes. Fui chefe do Departamento de Microbiologia (DM) do INCQS entre os anos de 2006 e 2009. Faço parte também da Câmara Técnica de Saneantes, ligada à Anvisa, e já participei como delegada das discussões do Mercosul sobre o tema entre os anos 1995 e 2000.

Hoje, além da minha atividade no Setor de Saneantes, ocupo a chefia do Laboratório de Microbiologia de Apoio, que dá apoio às atividades do DM, com um setor de esterilização, preparo de meios culturas, ensaio de esterilidade de produtos como as vacinas. Sou também a coordenadora do Grupo Técnico de Saneantes da unidade.

Como funcionam os Grupos Técnicos do INCQS?

A unidade tem duas estruturas. Uma é a estrutura vertical, onde você tem a direção e os departamentos de química, toxicologia, microbiologia... Outra é a estrutura matricial que perpassa todos os departamentos, através dos  Grupos Técnicos. No meu caso por exemplo, o Grupo Técnico de Saneantes trata um determinado produto de diversas maneiras. O desinfetante, por exemplo, vai passar pela microbiologia, onde será medida sua eficácia na eliminação de bactérias, pela química, onde será analisada sua composição, pela toxicologia, para saber se ele pode causar danos à saúde. O produto tem que ser testado e aprovado sob diversos aspectos.

Como é a rotina de trabalho na sua área?

Existem várias maneiras de um produto chegar para fazermos a análise. Pode haver uma denúncia à vigilância sanitária, que vai recolher uma amostra do produto e mandar para nós analisarmos. Há também os programas que fazemos com a vigilância sanitária, para a análise dos desinfetantes vendidos no município do Rio, por exemplo. Já fizemos também um programa com o Inmetro, que saiu até no Fantástico. São várias as formas de um produto chegar até nós para análise.

Já aconteceu de vocês analisarem um produto e ele ser tirado de circulação?

No início do nosso trabalho, quando surgiu a primeira portaria sobre o desinfetantes hospitalares ,no ano de 1985, foi dado um prazo para as empresas se adequarem à nova legislação. Depois de terminado o prazo, nós fizemos um trabalho enorme de verificação da qualidade dos desinfetantes hospitalares, e a reprovação passou de 80% das marcas vendidas. Elas foram todas tiradas do mercado. Com isso conseguimos adequar os produtos, e hoje está muito melhor do que era antes.

Foi um trabalho de muita importância na minha vida profissional, que estava só começando. Na época só nós fazíamos este trabalho no Brasil. E nada disso eu fiz sozinha, é importante ressaltar a importância do trabalho da Neide Miyazaki, minha colega, que trabalhou desde o inicio junto comigo, desde a formação do Setor, e que faleceu em março deste ano.

Quais os principais desafios no seu trabalho?

Acho que o maior desafio, eu nem diria desafio na verdade, é poder responder às demandas de saúde no tempo certo, as exigências da Anvisa e do Ministério da Saúde. É importante dar as respostas a tempo para a sociedade.

Que projetos você tem para o futuro?

Agora que saí da chefia do Departamento eu quero me dedicar mais à orientação de alunos. Eu terminei meu doutorado em 2005, e logo depois assumi o DM, então não tive tempo para orientar os alunos da pós, o que eu quero fazer pois é muito importante.

Como servidora pública, de que forma você vê a importância do seu trabalho para a Fiocruz e como ele se reflete na sociedade?

Com nossas análises e pesquisas relacionadas à qualidade de importantes produtos para a saúde pública, como: medicamentos, alimentos, vacinas e no meu caso os desinfetantes (inclusive os hospitalares), nosso trabalho tem impacto direto na melhoria da saúde e da qualidade de vida da população brasileira

O que significa a Fiocruz para você?

Uma vida. Costumo falar para todos que trabalham comigo que é uma benção estar aqui. Quem está aqui tem que aproveitar a chance de estar numa instituição como a Fiocruz. Além de tudo, eu tenho a satisfação de gostar muito do que eu faço, e acho que quando você faz algo com satisfação, é muito bom. Sem falar nas amizades que construímos ao longo do tempo.

Entrevista publicada em 13.08.2010 - Foto: Comunicação/Direh

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