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Foto: Benjamin Gilbert

Benjamin Gilbert

Ph.D. em Química Orgânica pela Universidade de Bristol, Inglaterra, Benjamin Gilbert trabalha em Farmanguinhos, unidade da Fundação que produz medicamentos e desenvolve tecnologias para produtos farmacêuticos de origem sintética e natural. Entre suas atividades está a introdução de plantas medicinais de segurança e eficácia comprovadas em saúde pública.

Qual sua formação?

Bacharel em Química Orgânica, 1950; Ph.D. Química Orgânica, 1954, ambos na Universidade de Bristol, Inglaterra.

Em qual área trabalha?

Em Farmanguinhos, na introdução de plantas medicinais de segurança e eficácia comprovadas em saúde pública. O trabalho do grupo envolve o levantamento de trabalhos químicos, farmacológicos, toxicológicos e clínicos publicados e organização com parceiros da Fiocruz, sejam oficiais ou privados, a complementação daquilo que falta, desde a coleta, seleção genética, produção agrícola da planta, até o produto final para uso no Sistema Único de Saúde.

Que plantas medicinais são pesquisadas? Existem produtos fitoterápicos que já são distribuídos pelo Sistema Único de Saúde?

O Governo determinou o uso de Plantas Medicinais e Fitoterapia na Saúde Pública pelo Decreto No. 5813 de 22 de junho de 2006. O Programa é multiministerial, mas coube a Farmanguinhos organizar as ações necessárias via uma parceria com tantas outras organizações quanto tiverem vontade de participar (coordenado pelo Dr. Glauco de Kruse Villas Boas). A EMBRAPA é um dos parceiros e o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, MDIC também. Este programa que foi dividido em biomas cujas floras são diferentes como a Mata Atlântica, o Cerrado, a Floresta Amazônica e a Caatinga, foi iniciado na Amazônia onde a Fiocruz criou uma rede de parceiros capazes de executar todas as tarefas desde provisão da matéria-prima na quantidade necessária até os ensaios de toxicologia e ensaio clínico que são requeridos pela ANVISA. Este processo leva alguns anos, porque não há praticamente uma espécie nativa que passou por tais etapas, e sem o registro da ANVISA não se pode utilizar um remédio mediante distribuição a partir de um fabricante.

Não é portanto um programa de pesquisa, mas um programa de selecionar as espécies que têm suficiente evidência científica de eficácia já publicada por alguém para justificar a complementação deste trabalho com o trabalho farmacotécnico, toxicológico e clínico que permite o seu registro. Esta seleção é nossa tarefa. Eficácia e segurança não são os únicos critérios, pois disponibilidade da planta nas quantidades necessárias é primordial e a demanda do sistema de saúde é importante. Os dados epidemiológicos de cada região também pesam na seleção. Um problema sério é a falta de financiamento adequado nesta fase inicial. Toxicologia subcrônica conforme a exigência normal da ANVISA custa ao redor de R$750mil e para a ANVISA abrir mão desta exigência é discutível, sabendo como sabemos que algumas espécies de uso popular são tóxicas em condições de administração que facilmente poderão ocorrer no SUS, especialmente quando se trata de pacientes que vivem em localidades sem assistência médica adequada (uma grande parte do país).

Por isso nenhuma planta entrou em uso no Sus?

No SUS ainda não, embora tenham algumas bem adiantadas em termos de comprovação científica, mas carentes de toxicologia e ensaio clínico. À medida que as redes regionais cresçam, acredito que o quadro vai mudar e vamos achar parceiros capazes de executar tarefas que faltam realizar. A inauguração de uma representação da Fiocruz no Ceará é um passo importante, visto o engajamento por muitos anos deste Estado em fitoterapia pública no programa de Farmácias Vivas fundado pelo Prof. Matos da UFC. (note que este programa é de 'Farmácias de Manipulação' com remédios administrados sob supervisão médica no local da sua preparação, e que obedece a legislação distinta da 'indústria farmacêutica', denominação dada para organizações como Farmanguinhos que fabricam e distribuem às autoridades de saúde municipais, estaduais e federais).

Que doenças são focadas?

Do bioma Amazônia já sabemos do Ministério da Saúde que as doenças que causam mais agravos naquela região, registradas pela área federal, são a hepatite e a leishmaniose tegumentar, doenças pelas quais existem espécies pesquisadas e nós acreditamos de uso seguro e eficaz. Aguardamos ainda os dados epidemiológicos e de demanda farmacêutica estaduais e municipais que esperamos receber ainda este ano (2007).

Possui muitos trabalhos publicados em revistas científicas?

Por volta de 200 trabalhos em revistas científicas nacionais e estrangeiras, alguns capítulos em livros, a maioria sobre produtos naturais brasileiros e controle de vetores de doenças endêmicas.

Qual a importância da produção de medicamentos de Farmanguinhos para a população brasileira?

A produção do 'coquetel' para AIDS reduziu de uma maneira altamente significante o crescimento da doença no país e proporcionou ao Ministério da Saúde uma economia de dezenas, se não centenas, de milhões de dólares.

(Atualmente, Farmanguinhos fabrica 66 medicamentos, entre eles, antibióticos, antiinflamatórios, antinfecciosos, antiulcerantes, analgésicos e produtos dermatológicos; medicamentos para doenças endêmicas como malária e tuberculose; drogas anti-retrovirais para Aids; medicamentos para doenças do sistema cardiovascular e do sistema nervoso central e para os programas de hipertensão e diabetes.)

O que é a Fiocruz para você?

Uma instituição que me permite trabalhar em prol da saúde, mesmo formalmente aposentado, o que dá muita satisfação. O acesso a informações científicas ajuda muito e o reconhecimento da Fiocuz pela Organização Mundial de Saúde e órgãos nacionais envolvidos com saúde facilita a construção de parcerias essenciais ao objetivo.

Entrevista publicada em 30.11.2007 - Foto: Comunicação/Direh

Comentários (1)

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Sem foto Ana Lourenço da Rosaem 28.10.2011 às 01:17
N/A

Se tenho algum passado com Dr Gilbert? E que passodo brilhante! Pena que perdi o meu contato científico há muitos anos! Mas, um pesquisador como Dr. Gilbert nunca se esquece! E numa busca investigativa, não havia encontrado nenhuma pista de encontrá-lo. Até que encontrei-o numa publicação científica de grupo sobre a situação dos fitomedicamentos no Brasil. Fiz contato com a Sra. Falcão, sob a forma de comentário para, se possível, ela repassar ao Dr. Gilbert, lá relato todo o nosso trabalho na elaboração do Projeto Biodiversidadesobre as Plantas medicinais do cerrado do Tocantins, pela UNITINS da época. Naquele comentário relato todos os dados necessários para a lembrança de tudo o que foi feito por nós, eu e o Dr Gilbrt. Que história fantástica de empenho cientíco que foi despreendido. Vide comentário na ficha da Sra. Falcão. Precisamos novamente de seu apoio. Espero novo contato. Ana Lourenço da Rosa/Porto Nacional/TO.

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